Mesmo após os primeiros alertas, os relatos não pararam. Mulheres e adolescentes que utilizam o transporte coletivo de Criciúma seguem encontrando bilhetes anônimos com conteúdo de cunho íntimo escondidos em bolsas e mochilas. O caso é investigado pela Polícia Civil como importunação sexual.
De acordo com o delegado regional de Criciúma, André Milanese, ao menos dois boletins de ocorrência já foram registrados, envolvendo vítimas de 16 e 21 anos. As situações estariam acontecendo principalmente nos trajetos entre o bairro Colonial e o Centro, incluindo a linha conhecida como Amarelinho, na região central da cidade.
Nas mensagens, o autor afirma querer conhecer, beijar e até massagear as vítimas. Em um dos recados, escreveu: “Seus pés são maravilhosos, mostra mais eles, por favor. Talvez, um dia, eu te fale isso pessoalmente”. O padrão repetido dos bilhetes reforçou a suspeita de que a mesma pessoa esteja agindo em diferentes dias e horários.
Imagens de câmeras de segurança devem auxiliar na investigação. Segundo o delegado, com base nas informações coletadas e nas diligências realizadas, um suspeito já foi identificado. Ele seria ex-namorado de uma das vítimas.
A identificação ganhou força após a mobilização de familiares. A jornalista Letícia Ortolan, parente de uma das jovens, criou um grupo para reunir possíveis vítimas e cruzar informações. Na última semana, uma adolescente conseguiu fotografar o homem que estaria deixando os bilhetes e enviou a imagem ao grupo.
Com a foto em mãos, uma mulher reconheceu o suspeito como seu ex-noivo. Segundo relato repassado por Letícia, ela afirma ser perseguida há cerca de três anos. A mulher teria sido alvo da criação de perfis falsos em sites adultos e já buscou medidas judiciais anteriormente, sem conseguir identificar formalmente o responsável. Ainda conforme o relato, ela teria encontrado o homem em ônibus da cidade em outras ocasiões.
Enquanto os bilhetes direcionados às demais jovens mantinham sempre o mesmo padrão de abordagem, os recados destinados à ex-companheira mencionariam inclusive plataformas de conteúdo adulto onde perfis falsos teriam sido criados em nome dela.
Em nota, o Consórcio CriBus, responsável pelo transporte coletivo de Criciúma, informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa e orientou passageiros que se sintam vítimas desse tipo de situação a procurarem imediatamente a Polícia Militar ou a Polícia Civil, além de comunicarem o profissional do transporte mais próximo.

A empresa destacou ainda que esse tipo de conduta não se resume a contato físico. Pode ocorrer por meio de comentários constrangedores, olhares insistentes, perguntas invasivas, registros sem consentimento ou qualquer atitude que cause desconforto e viole a privacidade.
A Polícia Civil segue apurando o caso para esclarecer a dinâmica dos fatos e eventual responsabilização criminal.














