terça-feira,

31/03/2026

Joinville/SC

Renúncia de CEO, rebaixamento de rating e polêmica política ampliam crise na Tupy

A renúncia do executivo Rafael Lucchesi ao cargo de CEO da Tupy, anunciada na última sexta-feira (27), reacendeu discussões sobre a governança e a estabilidade da companhia, sediada em Joinville.

Uma semana antes de deixar o cargo, a empresa já enfrentava outro sinal de alerta: o rating global foi rebaixado para BB negativo pela S&P, após o balanço do quarto trimestre apontar prejuízo de R$ 626,5 milhões.

A saída ocorre em meio a mudanças frequentes na alta gestão, o que tem gerado questionamentos entre acionistas e agentes do mercado. Em pouco mais de um ano, a companhia registra mais uma troca no comando, cenário incomum para empresas de grande porte listadas em Bolsa.

A indicação de Lucchesi, em março de 2025, já havia sido alvo de críticas.

Apesar da trajetória consolidada no setor industrial, sua experiência direta na liderança de grandes empresas foi considerada limitada por parte dos investidores, que defendem uma gestão mais técnica.

Imbróglio político

A crise também se insere em um contexto recente de controvérsias envolvendo a governança da empresa. Nos últimos meses, a Tupy foi alvo de críticas após a substituição de conselheiros técnicos por nomes com ligação ao governo federal.

O episódio ganhou força quando o BNDESPar, maior acionista da companhia, indicou o ministro da Defesa José Múcio para o conselho de administração. Na mesma leva, também foi sugerido Tiago Cesar dos Santos, ligado à Secretaria de Comunicação Social, para o conselho fiscal.

As indicações acenderam o alerta no mercado, com questionamentos sobre possível interferência política na gestão. Diante da repercussão negativa, a empresa chegou a convocar assembleia para deliberar sobre os nomes. Apesar das críticas, José Múcio acabou sendo aprovado pela maioria dos acionistas e teve sua entrada oficializada no conselho.

Desafios e cenário econômico

Antes de Lucchesi, a empresa era comandada por Fernando Rizzo, cuja gestão foi bem avaliada e marcada por expansão internacional e aquisições estratégicas. A troca no comando, à época, também gerou reações no mercado.

Além das questões internas, a Tupy enfrenta um cenário econômico desafiador. Em 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 655 milhões, impactada por incertezas globais, tarifas comerciais e queda na demanda por veículos — setor no qual atua com a produção de componentes automotivos.

Diante desse contexto, a saída do CEO, somada ao rebaixamento de rating e às recentes controvérsias, reforça a percepção de instabilidade e amplia o debate sobre os rumos da governança e da gestão da empresa.

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