A indicação do atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, para o Conselho de Administração da Tupy acendeu um novo alerta entre investidores e reforçou o temor de ingerência política na companhia.
O nome foi indicado pela BNDESPar, que detém cerca de 30% do capital da empresa, após a renúncia de Marcio Bernardo Spata.
A movimentação ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente da Tupy.
Em 2025, as ações da companhia acumulam queda de cerca de 44%, refletindo disputas políticas internas, resultados financeiros pressionados, renegociação de dívidas e impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Na última segunda-feira (23), os papéis chegaram a R$ 11,92, menor patamar desde 2020.
O presidente do conselho, Jaime Luiz Kalsing, criticou a forma como a substituição foi conduzida, afirmando que a empresa precisa de estabilidade para executar projetos estratégicos em andamento.
Durante a reunião, o conselheiro Mauro Cunha protestou contra a indicação e afirmou que a troca repete episódios ocorridos em 2023, quando mudanças motivadas por critérios políticos impactaram negativamente o valor das ações.
Segundo ele, a renúncia de Spata e a indicação do ministro não atendem às melhores práticas de governança e não agregam experiência técnica ao colegiado.
Cunha também destacou que a mudança deve gerar aumento imediato de custos, já que o ex-conselheiro abria mão da remuneração — algo que não deve ocorrer com o novo indicado.
Em nota, a BNDESPar afirmou que as indicações seguem a legislação vigente e as melhores práticas de governança corporativa, buscando levar experiência estratégica às empresas investidas.
A crise na governança se soma a um ano difícil para a Tupy, marcado também pela troca no comando executivo e por resultados fracos.
No último trimestre, o Ebitda ajustado caiu 51%, segundo a XP, que avalia que uma recuperação mais consistente só deve ocorrer a partir de 2026.











