Entre concreto e manguezal: obra da Ponte Joinville chega à metade da execução

Ferragens se erguem sobre estruturas de aço e de madeira que estão sobre o mangue da Lagoa do Saguaçu, com operários da construção civil indo e vindo para viabilizar uma conexão entre as zonas Sul e Leste.
Percorremos parte dos tortuosos caminhos que os trabalhadores da construção civil que atuam na ponte Joinville enfrentam diariamente nesta sexta-feira (24), em uma vistoria da Comissão de Urbanismo.

Abaixar-se, levantar-se, agachar-se, subir e descer degraus e rampas, fazer cálculos até para decidir o melhor caminho é parte do desafio cotidiano de operários e engenheiros.

Entretanto, a dureza do metal e do concreto ao qual ele vai dar estrutura pode se tornar um pouco mais suave com o transporte até esse canteiro, em meio ao rio Cachoeira.

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Os barcos eventualmente podem ser acompanhados de revoadas de guarás-vermelhos. Com sorte, talvez perto do pôr-do-sol.

Na vistoria, os vereadores Lucas Souza (Republicanos), Henrique Deckmann (MDB) e Adilson Girardi (MDB), bem como seus assessores, puderam conferir como se materializam as informações prestadas na última terça-feira pelo diretor-executivo da Secretaria de Infraestrutura, o engenheiro Paulo Mendes Castro, sobre a obra.

Em frente ao pilar número 9 da ponte, Castro explicou à comitiva da Câmara que esse é o apoio da ponte que têm dado mais trabalho, mas que falta relativamente pouco para que essa etapa esteja concluída.

Vereadores ouvem diretor-executivo da Seinfra, Paulo Mendes Castro (de capacete branco, ao centro), explicar as diferentes fases da obra | Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)A estrutura de ferragens já se ergue a mais de nove metros do solo e receberá a cobertura de concreto em breve.

O pilar 9, em particular, é o mais reforçado, porque sobre ele repousará o tabuleiro mais longo da ponte, medindo 165m, até o pilar 10, o primeiro do lado do bairro Adhemar Garcia. Nesse meio, nenhum pilar será construído.

Entretanto, houve dificuldades para o pilar 9.

O terreno para esse local ofereceu um solo mais instável que o indicado pelas sondagens feitas antes do início da obra. As estacas para que a base da ponte fossem firmes o suficiente precisaram ir além do que a equipe projetou originalmente.

São mais de 10 metros solo adentro para que a estrutura suporte o movimento futuro dos veículos.

A comitiva foi até a estrutura em que está sendo preparada a concretagem para o pilar 7.

Nesse ponto, há uma visão privilegiada para o mangue e alguém perguntou a Castro se o manguezal vai se recuperar. Castro afirmou que sim.

Segundo ele, apenas os pontos em que os pilares forem cravados ficarão com elementos propriamente de construção civil e que o mangue deve retomar sua vitalidade com rapidez.

Convivência entre o mangue e a obraConvivência entre o mangue e a obra | Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)Logo, a paisagem não contará mais com as estruturas de apoio que atualmente servem para o deslocamento de insumos e para permitir que o concreto seja conduzido do canteiro de obras do bairro Boa Vista até os pilares 7, 8 e 9.

Por falar nesse canteiro, vale citar que, no momento, estão em preparação os apoios que vão sustentar a ponte na região mais próxima ao bairro Boa Vista.

São estruturas pré-moldadas e a pretensão da equipe da Seinfra é que sejam instalados em breve, com apoio do cantitravel.

Presidente da Comissão de Urbanismo, Lucas Souza avalia que é necessário “sempre discutir o andamento da obra antes da gente vir para a diligência; a gente constatou nesta semana que a obra chegou a 50% do seu cronograma físico, ou seja, nós chegamos à execução de 50% da ponte Joinville”.

Souza observou ainda que “tem outras etapas sendo tocadas em paralelo como a concretagem das vigas; das 127 vigas da ponte, 106 já estão concretadas e a previsão do cronograma e constatado e afirmado pelos técnicos que nos foi passado aí na última terça-feira, é a entrega da ponte em outubro de 2027”.

Vereadores acompanham informações sobre a ponte | Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)

Dados da ponte

Na reunião da terça-feira, a equipe da Seinfra destacou que a ponte foi projetada para ter 980 metros de comprimento e 26 metros de largura — englobando pistas, acostamento, ciclovia e calçada com expectativa de atender cerca de 65 mil pessoas diariamente —, a grande intervenção viária passa por readequações qualitativas e quantitativas para se ajustar às condições reais identificadas no leito do rio e nas margens.

Também houve mais informações sobre o aditivo contratual. O preço base inicial do contrato, de R$ 296 milhões, passou para R$ 353 milhões, representando um aditivo de R$ 57 milhões referente a serviços e adequações não previstos originalmente. Somando-se os reajustes contratuais ordinários ao longo do período, o montante total chega a R$ 393 milhões.

Além do impacto orçamentário, o cronograma de execução sofreu uma extensão do prazo original de 24 meses para 40,87 meses (sim, quase 41). Castro ressaltou na ocasião que os custos de administração local derivados desse tempo extra não foram calculados por uma simples “regra de três” — o que somaria cerca de R$ 34,5 milhões —, mas sim embasados em um rigoroso histograma de mão de obra para refletir a necessidade real de pessoal e estrutura no canteiro.

Guindaste reúne vigas em barco para transporte até a obra da ponte | Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)Guindaste reúne vigas em barco para transporte até a obra da ponte | Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)

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