Jovem morto a tiros em uma praça do Jardim Paraíso é um dos envolvidos no enterro da cadela Bonnie, achada viva embaixo da terra em fevereiro. O MPSC denunciou uma mulher por maus-tratos e corrupção de menores.
Por Equipe Jornal Razão··3 min de leitura·Atualizado em
O adolescente de 17 anos executado com um tiro na cabeça em uma praça do Jardim Paraíso, em Joinville, é um dos envolvidos no caso da cadela Bonnie, encontrada enterrada viva em um condomínio do mesmo bairro em fevereiro.
Ele foi baleado ao lado de um jovem de 18 anos enquanto os dois estavam sentados perto do muro nos fundos da praça. Um homem armado com um revólver atirou contra os dois e fugiu pedalando uma bicicleta vermelha, segundo relato de testemunha. O adolescente morreu no local e o outro segue internado em estado grave.
O caso do animal aconteceu na manhã de 6 de fevereiro. A cadela, então chamada Chavosa e depois batizada de Bonnie, foi encontrada enterrada em um condomínio do Jardim Paraíso com apenas a cabeça para fora da terra.
Ela só não morreu porque moradores ouviram os latidos vindos do chão, conseguiram retirá-la da cova e acionaram atendimento veterinário de emergência.
À Polícia Militar, quatro jovens apresentaram a própria versão do que tinha acontecido. Eles disseram ter encontrado o animal passando mal no pátio do condomínio e levado a cadela até o corredor de um bloco. Ao voltarem ao local depois de um tempo, teriam achado que ela estava morta.
Ainda segundo esse relato, dois deles pegaram uma pá, enrolaram o animal em um cobertor e cavaram um buraco nos fundos de outro bloco, onde enterraram a cadela deixando a cabeça para fora. As duas jovens do grupo teriam apenas presenciado. Não houve flagrante, foi lavrado um boletim e os quatro foram liberados no local.

O Ministério Público de Santa Catarina sustenta uma versão bem diferente. Para a 21ª Promotoria de Justiça de Joinville, Bonnie foi soterrada ainda com vida e submetida a intenso sofrimento físico e térmico, em situação classificada como de extrema crueldade.
O relatório médico-veterinário anexado ao processo registrou que a cadela chegou ao atendimento em estado de choque, com temperatura corporal de 40,7 ºC, além de alterações neurológicas e sistêmicas. Os exames encontraram terra na gengiva, na língua e nas unhas do animal, indicação de que ela tentou sair do buraco.
Bonnie estava prenha de quatro filhotes. Bella e Stella nasceram com vida. Beca e Billy morreram em decorrência do que aconteceu.
A Polícia Civil deflagrou uma operação no condomínio em 24 de fevereiro, com três mandados de busca e apreensão cumpridos. Participaram a Delegacia Especializada no Atendimento aos Adolescentes em Conflito com a Lei, a Delegacia de Proteção Animal, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e a Divisão de Investigação Criminal.
Em julho, o MPSC denunciou uma mulher pelos crimes de maus-tratos contra Bonnie e os filhotes e de corrupção de menores, justamente pela participação de adolescentes na ocorrência. A promotora de Justiça Simone Cristina Schultz pede a responsabilização criminal e uma reparação mínima de R$ 41.918,87 pelos danos causados aos animais.
Bonnie se recuperou e foi adotada por uma nova família. Com a morte do adolescente, ele não responderá pelo caso.
A execução na praça é investigada como homicídio doloso pela Delegacia de Homicídios. O atirador não foi localizado e a polícia trabalha com a hipótese de disputa entre grupos criminosos rivais que atuam na região. Não há informação divulgada sobre eventual relação entre os dois casos.












