Dois anos após a morte de quatro jovens por asfixia dentro de um carro de luxo em Balneário Camboriú (SC), a única sobrevivente do caso, Geovana Staellen, falou publicamente pela primeira vez sobre a tragédia.
Em entrevista ao Domingo Espetacular, a jovem afirmou que, durante muito tempo, foi alvo de críticas e chegou a ser culpada pelo ocorrido. “As pessoas me culpavam pelo que aconteceu, mas eu também fui vítima”, disse.
O que aconteceu
O caso ocorreu na virada de 2023 para 2024. Gustavo, Karla, Tiago e Nícolas haviam se mudado de Paracatu (MG) para Santa Catarina com planos de abrir uma empresa. Geovana, namorada de Gustavo, saiu de Brasília (DF) para encontrá-los em Balneário Camboriú.
Na noite de Réveillon, os quatro amigos saíram de uma festa e foram buscar Geovana na rodoviária. Durante o trajeto, enfrentaram um congestionamento de cerca de uma hora e meia, permanecendo dentro do carro com ar-condicionado ligado e vidros fechados.
Ainda no caminho, começaram a apresentar sintomas como tontura, enjoo, sensação de embriaguez e sonolência.
Momentos antes da tragédia
Ao chegarem à rodoviária, o grupo relatou mal-estar. Karla chegou a vomitar e os amigos ficaram alguns minutos do lado de fora do veículo. Após breve melhora, decidiram retornar ao carro.
Com a chuva, optaram por passar a noite dentro do veículo e seguir viagem no dia seguinte. Geovana, no entanto, decidiu ficar fora do carro e chegou a retornar duas vezes para verificar se os amigos estavam bem.
Ela acabou dormindo na calçada. Ao acordar na manhã seguinte, encontrou os quatro desacordados dentro do veículo.
Desesperada, pediu ajuda a pessoas próximas e acionou o Samu. Apesar das tentativas de reanimação por cerca de 40 minutos, os jovens já estavam mortos.
Causa da morte
A investigação apontou que os quatro morreram por intoxicação por monóxido de carbono, um gás tóxico, invisível e sem cheiro.
De acordo com a polícia, o gás invadiu o interior do veículo devido a uma falha no sistema de escapamento. Com o carro ligado e os vidros fechados, o monóxido se acumulou rapidamente, impedindo a oxigenação do corpo.
A intoxicação pode causar dor de cabeça, tontura, náusea, fraqueza e, em casos graves, levar à perda de consciência e morte.
Responsabilização
Seis meses antes da tragédia, o veículo havia passado por uma modificação mecânica para aumento de potência e alteração no escapamento. O catalisador original foi substituído por uma peça artesanal, que teria se rompido devido a falhas na instalação.
Segundo as investigações, a peça apresentava problemas de soldagem e não possuía um sistema adequado de fixação.
O mecânico responsável pelo serviço e o sócio da oficina foram indiciados por quatro homicídios culposos (sem intenção de matar). O julgamento ainda não tem data definida.
“Eu sobrevivi por não estar no carro”
Emocionada, Geovana afirmou que só sobreviveu porque não permaneceu dentro do veículo naquela noite.
Ela disse ainda esperar que a Justiça esclareça completamente o caso e reforçou o desejo de manter viva a memória dos amigos.
“Quero que a história deles seja lembrada e que tudo seja devidamente esclarecido”, concluiu.













