A Comissão de Proteção Civil teve reunião extraordinária nesta quinta-feira (19) para tratar sobre a segurança na Zona Sul de Joinville. Segundo vereadores, há reclamações sobre furtos, principalmente de fios elétricos, e a presença de pessoas em situação de rua, entre outras situações que “vêm impactando diretamente a sensação de segurança e a qualidade de vida da população”.
Morador do Boehmerwald, Juan Raele (de pé, na foto acima, falando ao microfone) contou aos vereadores que tem medo de deixar a mãe sozinha em casa. Nos últimos dias, furtaram os fios do poste em frente à sua residência. Ontem, de dentro do carro, durante o dia, viu dois homens tentando furtar, de novo, mais cabos elétricos. “Todos os dias temos relatos de furtos de lixeiras, portões, e fios”, lamentou Juan. Ele disse sentir falta de policiamento na região.
“A situação passou do normal, e o cidadão já não aguenta mais”, desabafou o vereador Brandel Junior (PL), que exibiu na reunião um vídeo de um comerciante do Guanabara que se queixava da situação de insegurança. “A gente não tem nem mais ânimo de fazer B.O. [boletim de ocorrência]”. O parlamentar disse ser preciso intensificar o policiamento e endurecer as leis do país. Além disso, cobrou melhorias na iluminação pública, cercas em praças, demolição de prédios abandonados e a mudança de endereço do Restaurante Popular.
Comandante da Guarda Municipal de Joinville (GMJ), Gabriel Colin reconheceu que a situação não é fácil. Como a região é extensa, há limitações no patrulhamento. Pelo menos duas guarnições circulam diariamente pela Zona Sul. Este ano foram feitas quatro ações do Grupo de Ação de Ordem Pública (GAOP), que reprime a venda de cobre em ferros-velhos.
Além disso, está em processo de licitação um novo parque de câmeras de monitoramento com 3 mil equipamentos. “Isso vai nos auxiliar na solução de crimes e numa resposta mais precisa à sociedade”, disse. Colin pediu que a população faça denúncias à Guarda pelo número de telefone 153.
A pedido do presidente da comissão, Mateus Batista (União Brasil), o comandante da GMJ explicou que as prisões em flagrante devem ser feitas sem interrupções a partir do momento do crime. As audiências de custódia, feitas pelo judiciário, são realizadas em até 24h.
Por requerimento de Brandel Junior, o assunto voltará à pauta no início do mês que vem com a presença da Sama, Seinfra e Secretaria de Assistência Social (SAS).
O que disseram os vereadores
“Ao que me parece, existem várias limitações legais e operacionais”, argumentou Mateus Batista. “O criminoso no Brasil se sente confortável para cometer seus crimes”, disse. O vereador disse torcer para que um projeto de aumento de pena para furto, em aprovação no Congresso, seja sancionado pelo governo Lula, que, segundo ele, é pró-bandido.
Para o vereador Érico Vinicius (Novo), faltam presídios no país e “vergonha na cara” dos parlamentares federais para legislar sobre segurança. “Nós precisamos fortalecer a comunidade, fazer registros, pressionar por mudanças”, afirmou.

O vereador Instrutor Lucas (PL), que é policial militar, disse que é preciso solicitar mais rondas na região e pediu que a comunidade continue fazendo os boletins de ocorrência. Ele disse ainda que a bancada do PL solicitou ao governo estadual mais policiais militares. Sobre as câmeras, autorizadas por um projeto dele, Instrutor Lucas disse que os bandidos, principalmente os foragidos, deverão ter medo de andar pela cidade.
Neto Petters (Novo) reconheceu que há uma insatisfação geral da população e criticou o poder judiciário. “O cidadão de bem quer que enrijeçam as leis penais, não o contrário”.

















