segunda-feira,

16/03/2026

Joinville/SC

Homem tenta ajudar mulher que relatou agressão, vai à casa do ex dela e é morto a facadas em SC

 

Eduardo de Lima, de 29 anos, conhecido como “Cachorro Loco”, morreu após ser esfaqueado na madrugada de sábado (15), em uma residência na rua José Corrêa Gonçalves, no bairro Martello, em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina.

O morador da casa, apontado como autor dos golpes, afirmou à polícia que agiu em legítima defesa depois que Eduardo teria invadido o local armado com uma faca e feito ameaças de morte.

Atendimento da ocorrência

De acordo com a Polícia Militar, as guarnições foram acionadas pelo Copom e, ao chegarem ao endereço, encontraram Eduardo já sem vida. A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Científica, enquanto Polícia Civil e Corpo de Bombeiros também prestaram atendimento no local.

Versão do morador

O morador contou que estava deitado com o filho, um bebê de oito meses, quando a ex-companheira chegou à residência acompanhada de Eduardo, que ele disse nunca ter visto antes.

Segundo ele, a mulher pediu para entrar e buscar alguns pertences. Ao abrir a porta, acreditando que ela estivesse sozinha, Eduardo teria entrado junto e mandado que ele largasse o bebê e “fosse homem”.

O morador afirmou que pegou o celular para ligar para a polícia e avisou a ex-companheira que já havia acionado a PM. Nesse momento, segundo ele, Eduardo passou a ameaçá-lo de morte.

Uma vizinha relatou ter ouvido uma discussão por volta das 6h25 e, ao olhar pela janela, viu um homem segurando uma faca durante a briga.

Ainda conforme o relato do morador, Eduardo saiu da casa e voltou com um cabo de vassoura. Os dois entraram em luta corporal e caíram no chão. Durante o confronto, ele disse ter pegado uma faca que estava sobre a pia da cozinha e desferido golpes na região das costelas de Eduardo. O homem afirmou não lembrar quantas facadas deu e declarou ter agido para proteger a própria vida e a do filho.

A PM informou que tanto o morador quanto a ex-companheira apresentavam sinais claros de embriaguez no momento da ocorrência.

Versão da ex-companheira

A mulher apresentou uma versão diferente. Segundo ela, o casal havia saído para um bar, onde o companheiro teria tido uma crise de ciúmes e a agredido. A mulher apresentava marcas nos braços e no peito.

Ela afirmou que deixou o local sozinha e, no caminho para casa, encontrou Eduardo, que se ofereceu para ajudá-la a buscar o filho. De acordo com o relato dela, o homem não foi até a residência para ameaçar ninguém, mas para ajudá-la a pegar a criança.

Ao chegarem, o morador teria se recusado a entregar o bebê. Ainda segundo a mulher, Eduardo estava segurando uma faca quando a discussão começou, momento em que ocorreu a briga.

O próprio morador confirmou à polícia que os dois tiveram um desentendimento durante uma festa no bairro Martello naquela madrugada. Ele disse que deixou o local, buscou o filho na casa da babá e voltou para casa. Ao chegar, chegou a ligar para a PM alegando ter sido agredido pela ex-companheira. No momento do atendimento, ele apresentava marcas no rosto, nariz inchado e hematomas.

Testemunhas

Um vizinho relatou que acordou por volta das 5h30 com barulho e discussão na casa ao lado. Ao sair para verificar, encontrou o morador já do lado de fora da residência dizendo que “achava que o cara estava morto”. Em seguida, viu o corpo de Eduardo caído próximo à porta dos fundos.

O pai da vítima foi chamado ao local e fez o reconhecimento do filho. Eduardo morava em Rio das Antas e deixa um filho de 11 anos. Segundo o pai, ele havia saído de casa dizendo que iria a uma festa e depois comentou que levaria uma mulher para casa.

Como Eduardo não portava documentos — apenas um celular bloqueado — a identificação inicial só foi possível com a chegada do pai.

Criança ficou sob cuidados da família

O bebê de oito meses, filho do casal, foi encaminhado pelo Conselho Tutelar e ficará sob os cuidados de uma tia materna.

Investigação

O morador foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Caçador, junto com a ex-companheira e testemunhas, para prestar depoimento. Conforme a PM, apesar dos sinais de embriaguez, ele estava calmo e colaborou com os policiais, não sendo necessário o uso de algemas.

O velório de Eduardo de Lima ocorre no Memorial Martello. O sepultamento está previsto para domingo (16), às 10h, no Cemitério Correia.

O caso foi registrado como homicídio doloso e segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura todas as circunstâncias da morte.

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