sexta-feira,

06/03/2026

Joinville/SC

Joinville homenageia imigrante João Paulo Schmalz pelo legado e contribuição com o desenvolvimento da cidade

Na segunda-feira (9/3), Joinville celebra 175 anos. Como tradicionalmente ocorre, o primeiro evento do dia é a Homenagem aos Imigrantes, agendada para 8h30, no Cemitério do Imigrante (Rua XV de Novembro, 1000).

 

Este ano, o imigrante homenageado será o político, gestor, cientista e desbravador João Paulo Schmalz. O pioneiro foi um dos 739 imigrantes suíços que escolheram a cidade como sua terra e a construíram para prosperar. O evento é promovido pela Prefeitura de Joinville, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), em parceria com a Sociedade Cultural Alemã.

 

“A Sociedade Cultural Alemã de Joinville, guardiã da memória da imigração, escolhe a cada ano uma família, que tenha antepassados enterrados no Cemitério, para ser homenageada.

Neste ano, escolhemos a família Schmalz, em reconhecimento à memória de Ralf e Margareth Schmalz, que nos deixaram em 2025.

Eles foram parte do núcleo de pessoas, criado em 1997 por iniciativa do prefeito Luiz Henrique, que resgatou a presença da imigração Suíça na história de Joinville. Foi o trabalho desse núcleo que estabeleceu as bases para a parceria com Schaffhausen”, explica Dolores Tomaselli, diretora executiva da Sociedade Cultural Alemã de Joinville.

 

“A diretoria da Sociedade elegeu por unanimidade a família Schmalz como homenageada”, completa Dolores. A comitiva da Suíça, de Schaffhausen, cidade de onde partiram os imigrantes, vai acompanhar a cerimônia.

 

Imigrante desempenhou diferentes funções em Joinville

João Paulo Schmalz (Johann Paul Schmalz) nasceu em 5 de maio de 1844, na cidade de Nidau, à época um pequeno vilarejo na Suíça, distante trinta e cinco quilômetros de Berna. Com 8 anos, em 18 de maio de 1852, chegou ao Brasil acompanhando os pais, Albrecht Gabriel Schmalz e Margaretha Zenger Schmalz, e os quatro irmãos.

 

Depois de ancorar em São Francisco do Sul, a bordo do navio Emma & Louise, a família seguiu até a então colônia Dona Francisca, onde se estabeleceu. Albrecht, mestre cervejeiro, fundou a primeira cervejaria artesanal da localidade, a Cervejaria Schmalz.

 

João Paulo teve intensa vida pública, exercendo diversas atividades laborais. Foi serralheiro e, por mais de três décadas, geriu a usina de açúcar e álcool de Pirabeiraba.

O complexo era uma propriedade do Duque de Aumale, irmão do Príncipe de Joinville, e teve impacto significativo no desenvolvimento da região. Atuou como juiz de paz e militar, sob as patentes de capitão e tenente-coronel da Guarda Nacional, força criada durante o período regencial para garantir a estabilidade social do país após a independência.

 

Schmalz ingressou na vida política nos últimos anos da monarquia e seguiu até os primeiros anos da República, como vereador e deputado estadual.

 

De 7 de janeiro de 1883 a 7 de janeiro de 1887, foi presidente da Câmara Municipal de Joinville. Entre 23 de abril de 1894 e 16 de abril de 1895, foi superintendente municipal de Joinville, o que, à época, equivalia ao cargo de prefeito. Foi deputado da Assembleia Constitucional Estadual de 1891 a 1893, e deputado estadual da primeira legislatura de Santa Catarina, entre 1894 e 1895.

 

Junto às atividades profissionais e ao serviço público, João Paulo também dedicou-se às ciências naturais e à natureza. Típico cientista autodidata, são seus os primeiros registros climatológicos e meteorológicos de Joinville. Deixou notas sobre insetos locais e, na botânica, foi encantado pelas orquídeas.

 

Por ser pioneiro ao desbravar os entornos da cidade, realizando expedições frequentes para exploração e mapeamento, e por ter liderado a primeira subida até o Pico Jurapê e à Pedra Branca do Araraquara, é reconhecido como pai do montanhismo em Joinville.

 

João Paulo Schmalz faleceu em 31 de julho de 1915, aos 71 anos.

Está sepultado no Cemitério do Imigrante, no túmulo 462, ao lado da esposa, Maria Ravache, com quem teve doze filhos. Vários de seus descendentes seguem residindo na cidade que João Paulo ajudou a erguer e a expandir.

Legado, memória e homenagens

Entre os principais legados de Schmalz, Tomaselli sublinha que, enquanto prefeito, João Paulo reconheceu “os Bombeiros Voluntários de Joinville como serviço essencial ao município, o que conferia aos Bombeiros uma espécie de autoridade policial, sendo que a instituição existia desde 1892”. A diretora também destaca que o imigrante foi “republicano e deputado constituinte da primeira legislatura republicana de Santa Catarina”.

 

Em 1959, o trecho entre a Rua Dona Francisca e a Rua Dr. João Colin foi alterado de Rua Ceará para João Paulo Schmalz, e atualmente corresponde à rua Max Colin. A Rua João Paulo Schmalz atual está nomeada no Distrito Industrial de Joinville.

 

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