Uma discussão entre vereadores na Câmara de Joinville terminou em boletim de ocorrência na Polícia Civil e na abertura de processo por quebra de decoro parlamentar, que pode levar à cassação de mandato.
O episódio envolveu os vereadores Cleiton Profeta (PL) e Henrique Deckmann (MDB) e teve início na última quarta-feira (25), após uma sessão marcada por debates sobre o atendimento no Hospital Municipal São José. Depois da suspensão dos trabalhos em plenário, o presidente da Casa, Diego Machado (PSD), convocou os 17 parlamentares para uma reunião reservada na chamada Sala VIP, com o objetivo de reforçar a importância do respeito e do diálogo institucional.
Versões divergentes
Segundo boletim de ocorrência registrado por Henrique Deckmann, durante a reunião Cleiton Profeta teria se exaltado ao afirmar que deixaria o encontro. Ao ser questionado sobre a saída, conforme o relato, houve discussão acalorada, aproximação física e ofensas verbais. Deckmann sustenta que se sentiu intimidado e que seus direitos como parlamentar e como pessoa idosa foram desrespeitados.
Cleiton Profeta, por sua vez, nega as acusações. Em nota, afirmou que foi impedido de sair da sala e que teria sido empurrado pelo colega. O vereador do PL classificou como “inverídica” a versão de que teria agredido ou ofendido o parlamentar e afirmou que está sendo alvo de tentativa de desviar o foco de denúncias que vem apresentando.
Pedido de cassação
Menos de uma semana após o episódio, o Partido Novo protocolou denúncia por quebra de decoro parlamentar contra Cleiton Profeta, com pedido de cassação do mandato. O requerimento foi lido em plenário nesta segunda-feira (2) e aprovado por 14 votos favoráveis, dois contrários e uma abstenção.
Com a admissibilidade da denúncia, foi instaurada comissão processante para conduzir o caso. O colegiado será responsável por analisar as acusações, garantir o direito de defesa e emitir parecer final.
Próximas etapas
O processo seguirá os trâmites previstos na legislação federal e no regimento interno da Câmara, incluindo:
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Notificação do vereador denunciado para apresentação de defesa prévia;
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Fase de instrução, com coleta de provas e oitivas;
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Elaboração de parecer pela comissão;
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Julgamento em plenário, que exigirá o voto favorável de dois terços dos vereadores para eventual cassação.
Até o momento, não há decisão definitiva sobre o caso.













