Corporação que nasceu com 27 praças e um oficial em Florianópolis chega ao centenário presente em todo o estado, com 653 soldados formados num único ato e 56 caminhões incorporados de uma só vez. As comemorações seguem até dezembro – Foto: Roberto Zacarias / SecomGOVSC
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) completou 100 anos no dia 26 de setembro de 2026. A data fechou a semana mais intensa de um calendário que começou em janeiro e coincidiu com o maior ciclo de investimento da história da corporação: frota pesada renovada, a primeira turma de militares temporários, um novo batalhão no Extremo Sul e a maior preparação para desastres já feita no Estado.
A história inicia em 26 de setembro de 1926, quando a Seção de Bombeiros da Força Pública começou a funcionar na Rua Tenente Silveira, no Centro da Capital, com 27 praças e um oficial, sob o comando do 2º tenente Waldemiro Ferraz de Jesus. Em 2026, são mais de 3,2 mil bombeiros militares, 17 batalhões e cerca de 200 quartéis em 146 municípios, responsáveis por cerca de 195 mil ocorrências por ano.
“Estamos diante de um cenário em que não só completamos cem anos de história, mas de evolução. Com novo efetivo, novos equipamentos e o maior investimento da nossa frota. Eu tenho falado que não é só celebrar os 100 anos, mas projetar os próximos cem”, afirmou o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
Uma corporação do tamanho do estado
No ar, o CBMSC opera três aviões, dois helicópteros e 60 drones. Em terra, 193 ambulâncias e 240 caminhões. Na água, 263 embarcações e botes. A estrutura militar é ampliada por cerca de 5 mil bombeiros comunitários e, na alta temporada, por 2 mil guarda-vidas civis, que ocupam 434 postos ao longo de 348,3 quilômetros de praia em 33 municípios.
Parte do trabalho não aparece como ocorrência. Por ano, a corporação analisa 46.312 projetos de edificações, entre vistorias, análises e atestados. O Programa Golfinho soma mais de 50 mil formações desde 1998, e cerca de 40 mil crianças já passaram pelo Bombeiro Mirim. O resultado se mede também em patrimônio: em média, R$ 3 bilhões por ano em bens salvos para famílias e empresas catarinenses.
O que ainda vem
A comemoração segue até dezembro. Em 24 de outubro, a Banda de Música encerra a turnê em Blumenau, na Oktoberfest. Em 31 de outubro, acontece o Baile dos 100 Anos. De 25 a 27 de novembro, o Estado sedia o Conabom 2026, considerado o maior encontro de bombeiros da América Latina, com a Olimpíada Catarinense de Bombeiros, provas com cães de busca e a competição Bombeiro de Aço. A final da Copa Santa Catarina está marcada para 29 de novembro, e o jantar de encerramento do centenário, para 10 de dezembro.
“Este centenário não é meu, nem do comando. É de cada homem e cada mulher que vestiu a farda nesses cem anos e dos que ainda vão vestir. O que celebramos não é o que construímos; é a certeza de que quem vier depois vai chegar mais rápido e mais longe do que nós chegamos. Esse é o legado: deixar a corporação melhor do que a encontramos”, concluiu o coronel Fabiano de Souza, comandante-geral do CBMSC.
A frota mais nova da história
Entre 2023 e 2025, a corporação incorporou 336 viaturas, num investimento de R$ 169 milhões. Em 2026, outros R$ 88 milhões foram destinados à frota pesada. Com as entregas até dezembro, todos os caminhões de combate a incêndio devem ficar dentro do limite de 15 anos de uso fixado pelo Plano Estratégico, meta que a corporação nunca havia atingido. Até o fim do ano, igualmente, todos os quartéis também recebem o compressor torácico automático, equipamento de reanimação.
A semana do centenário
A contagem final para os cem anos começou no sábado, 19 de setembro, com a 4ª Corrida do Fogo, na Beira-Mar Continental. Foram 2 mil inscritos, chuva do início ao fim e nenhuma etapa cancelada. Antes da largada, equipes ensinaram reanimação cardiopulmonar e atendimento a engasgo ao público.
No domingo, 20, uma missa marcou os 100 anos. Na segunda-feira, 21, o Centro de Ensino Bombeiro Militar (CEBM) recebeu a homenagem aos bombeiros tombados: 36 nomes, entre bombeiros militares, comunitários e o cão de busca Barney. As histórias estão no Portal do Centenário. Na terça, 22, a corporação recebeu os ex-comandantes-gerais.
Na quarta-feira, 23, o Concerto do Centenário lotou os 906 lugares do Centro Integrado de Cultura (CIC). Os ingressos gratuitos esgotaram em dois dias, e a apresentação, montada como uma linha do tempo musical dos cem anos, teve transmissão ao vivo. Os alimentos arrecadados foram destinados ao Projeto Gerações da Chico, no Monte Cristo.
Na sexta-feira, 25, véspera da data de fundação, o Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira recebeu a maior solenidade da história do CBMSC. No mesmo ato, a corporação formou a primeira turma de praças temporários, com 653 soldados em 12 pelotões, batizada de Turma Centenário. Foi a maior formatura já realizada. Também condecorou com a Medalha do Centenário os 100 bombeiros militares mais antigos vivos do Estado e os ex-comandantes-gerais, e prestou tributo ao primeiro comandante, cujas honrarias foram recebidas por quatro gerações de sua família.
A cerimônia lançou ainda dois livros: 100 Anos de Vigília, do coronel Milton Antônio Lazzaris, comandante-geral de honra, com 688 páginas e mais de uma década de pesquisa, e 100 Anos do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina: por elas e por eles, organizado pela coronel RR Adriana Souza da Silva, com relatos de 25 autores. Foram apresentados o novo estandarte, o novo vídeo institucional e o projeto da primeira sede própria do Comando-Geral. O ato terminou com o banho de batismo dos 653 formandos, o maior da história da corporação.
Nove meses até a data
O centenário começou em 26 de janeiro, com o lançamento do primeiro livro dos 100 anos: 368 páginas, 543 fotografias e cerca de 280 marcos históricos, distribuído a bibliotecas de todo o Estado e disponível gratuitamente em versão digital. Quatro dias depois, o governador Jorginho Mello recebeu a Medalha do Centenário nº 001 e autorizou a compra de 56 caminhões.
Em março, as 16 equipes da antiga Força-Tarefa atuaram ao mesmo tempo em quatro cenários no Alto Vale do Itajaí: incêndio florestal em Ibirama, enxurrada em Aurora, deslizamento em Trombudo Central e estruturas colapsadas em Pouso Redondo. Foi o maior simulado de desastres da história da corporação, e as equipes passaram a se chamar Grupos de Resposta a Desastres.
Em maio, a portaria do Dia Estadual do Bombeiro Veterano tornou permanente a homenagem a quem vai para a reserva, e a Banda de Música estreou a primeira turnê de sua história no Terminal de Integração do Centro, entre passageiros à espera do ônibus. A turnê passou por Itajaí, Chapecó, Lages e Criciúma antes de voltar à Capital.
Junho reuniu o aniversário da emancipação e a sessão especial da Assembleia Legislativa, que homenageou 25 militares no mesmo plenário onde, em 13 de junho de 2003, a Emenda Constitucional nº 33 separou o CBMSC da Polícia Militar. No dia 24, chegaram os 56 caminhões: 42 de combate a incêndio e resgate e 14 caminhões-tanque, num investimento de R$ 76,6 milhões, a maior entrega de veículos pesados da história do Estado.
Em 2 de julho, Dia do Bombeiro, Araranguá ganhou o 17º Batalhão, com comando próprio para os 15 municípios do Extremo Sul. Duas semanas depois, Blumenau e Indaial receberam o II Simulado Integrado da Região Sul, com cerca de 180 profissionais de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul treinando juntos a resposta a enchentes, diante do alerta para um novo El Niño.










