A pequena Maitê, moradora de Taió, trocou os brinquedos pelas páginas de livros e aprendeu a ler sozinha dentro de casa; o flagrante na creche impressionou a equipe pedagógica.
Por Equipe Jornal Razão··4 min de leitura·Atualizado em
Um momento cotidiano em família transformou-se no início de uma descoberta impressionante no município de Taió, no Alto Vale do Itajaí. Aos 1 ano e 10 meses de idade, a pequena Maitê Fátima Visintainer deixou os pais e a equipe da creche impressionados ao revelar, de forma espontânea, que já domina a leitura de palavras e frases.
Em entrevista ao Jornal Razão, a mãe, Francieli Fátima Alves contou que a descoberta aconteceu no sábado (19), de forma totalmente despretensiosa. Ao ver uma palavra escrita, a pequena não hesitou em pronunciá-la com clareza.
“No sábado ela viu uma palavra assim e leu: ‘Um leão’. Daí eu pedi para ela se ela sabia ler, ela disse que sim… Ela só olhava, ela já falava a palavra assim, sabe, sem muito esforço”, contou a mãe.

Surpresos, os pais Francieli Fátima Alves e Tiago Visintainer começaram a testar o vocabulário da filha com termos mais complexos. E no dia seguinte, no domingo (20), para o espanto de todos, Maitê não apenas pronunciava os vocábulos como compreendia o contexto das expressões, utilizando gestos para indicar o significado das palavras mais longas. Entre as palavras: “Dinossauro”, nomes, cores e número, que Maitê conseguiu reconhecê-los e pronunciá-los perfeitamente.
A paixão precoce pelos livros
A habilidade não foi fruto de treinamentos intensivos ou métodos direcionados. Segundo o relato emocional da mãe, a garota nunca demonstrou interesse por brinquedos convencionais quando saía com a família.
“Ela não pedia bonecas nem nada, sabe? Nem brinquedos, livro. Sempre um livro, sabe? Ela tem uma porção de livros aqui em casa… Sentava para a gente ler livrinho para ela e pedia. Depois ia para um canto e ficava lá, tipo, folheando e passando com o dedinho… Nessa conversadinha dela ali ela foi pegando as coisinhas”, revelou.
Nesta segunda-feira (21), a mãe entrou em contato com a direção do CEI Padre Eduardo, para saber se o progresso fazia parte de algum projeto pedagógico do centro infantil. A resposta da instituição trouxe ainda mais espanto: a creche ensina os conteúdos de forma puramente lúdica e não realiza processo de alfabetização formal com crianças dessa faixa etária.
Mobilização na rede de ensino
Ao constatar a leitura fluente da aluna em sala de aula, a diretora da unidade escolar, Ana Paula Claudino, agiu rapidamente para assegurar que a rotina e as necessidades pedagógicas de Maitê fossem atendidas de forma adequada e acolhedora.
“A gente tá fazendo o teste com a Maitê lá na sala e ela tá lendo tudo… Realmente é uma alta habilidade que ela tem. Para o nosso município nunca teve acho que um caso assim… Agora a gente tem que achar uma maneira correta de estar trabalhando e desenvolvendo sempre essas altas habilidades dela, para não bloquear ela na questão de aprendizagem”, destacou a diretora.
A prefeitura do município e a Secretaria de Educação já foram avisadas sobre essa boa notícia. Uma professora de Educação Especial, Sirlene Schotten Bridarolli, passou a acompanhar Maitê de perto para observar e registrar as interações da criança com os textos.
O teste com a professora de Educação Especial
Um vídeo registrado dentro da creche mostra a naturalidade com que a menina realiza o reconhecimento visual dos vocábulos. Acompanhada pela professora Sirlene, Maitê vai apontando e lendo de forma limpa e confiante uma série de fichas apresentadas:
— “Esse aqui Maitê, ó, essa palavrinha, qual que é?”
— “A chuva.”
— “A chuva. Misericórdia! E essa aqui?”
— “O papai.”
— “E essa?”
— “A mamãe.”
À medida que as fichas avançavam com palavras como lata, rato, pato, cebola, sapeca, mala, doce, coelho, borboleta, gato, banana, bola, elefante e tesoura, a pequena respondia prontamente, sem hesitação.
Próximos passos
Enquanto a família aguarda os próximos encontros com a equipe de Educação Especial para compreender e acompanhar melhor o perfil de desenvolvimento de Maitê, a rotina da garotinha segue leve, dividida entre as brincadeiras com os colegas de sala, cujos nomes, cores e números de 1 a 10 ela já conhece de cor, e as suas inseparáveis leituras.
















