Brusque perde Jonas Oscar Paegle, o médico que atendeu quatro gerações e governou a cidade

Médico há quase 50 anos em Brusque e prefeito entre 2017 e 2020, Jonas Oscar Paegle morreu aos 79 anos. A informação foi confirmada pela Prefeitura de Brusque.

Brusque está de luto pela morte de Jonas Oscar Paegle, médico e ex-prefeito da cidade, aos 79 anos. A morte ocorreu na quarta-feira, 9, e a informação foi confirmada ao Jornal Razão pela Prefeitura de Brusque.

Ele teria sido vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), conforme informação divulgada pelo perfil Brusque Discover.

Natural de Criciúma, Jonas foi criado em Urubici, onde viveu até os 11 anos. Depois disso, o pai o levou para estudar em Florianópolis, primeiro no Colégio Catarinense e em seguida no Dias Velho, escola estadual onde cursou o científico. Foi ali que começou a se preparar para o vestibular de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curso que concluiu em 1972.

A ligação com Brusque começou em 1975. Depois de se especializar em medicina do trabalho, ele recebeu o convite para atender o ambulatório da Schlösser, que precisava de um profissional da área por exigência da legislação da época. O irmão, formado em engenharia, já morava na cidade e trabalhava na Fischer. Jonas morou primeiro no Centro e, depois de casar, mudou-se para o Jardim Maluche, onde vivia.

Foram quase 50 anos de consultório, plantões e atendimento no Detran, com pacientes de Brusque e de cidades vizinhas como Botuverá, Guabiruba e Nova Trento. Em algumas famílias, ele atendeu quatro gerações seguidas: bisavô, avô, pai e filho. Em entrevista ao jornal O Município, em 2023, ele resumiu assim a passagem pela UTI: “atendemos todo tipo de público e fazíamos o nosso melhor para todos”.

A longevidade da carreira aparece no próprio registro profissional. Em 2023, Jonas era o sexto médico de Brusque com registro ativo mais antigo no Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC).

A vida pública veio em paralelo. Ele foi vereador em Brusque pelo PSD e chegou a ocupar a função de primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara, cargo que exercia em 2012, quando pediu licença de 35 dias do mandato.

Em 2016, disputaria mais uma vez uma vaga de vereador, mas acabou puxado para a cabeça de chapa depois que Ciro Roza desistiu de concorrer. Filiado ao PSB e tendo Ari Vequi como candidato a vice, venceu a eleição com 25.171 votos, o equivalente a 40% dos válidos, em uma disputa com sete candidatos.

Assumiu em 1º de janeiro de 2017, no fim de um período conturbado na prefeitura. Em dez anos, Brusque teve seis prefeitos: Paulo Eccel, Roberto Prudêncio, Bóca Cunha, o próprio Jonas, Ari Vequi e André Vechi. Entre eles, Jonas foi o único que completou os quatro anos de mandato.

Já no fim do governo, migrou do PSB para o Democracia Cristã. Em 1º de setembro de 2020, anunciou que não disputaria a reeleição e declarou apoio ao vice, Ari Vequi, que teve o pastor Gilmar Doerner como candidato a vice-prefeito. Na justificativa, citou os três anos e oito meses de governo e disse que seguiria à frente da prefeitura até o fim de 2020, com foco no enfrentamento da pandemia.

Também foi como prefeito que Jonas decretou luto oficial de sete dias em outubro de 2020, pela morte do ex-prefeito e empresário Hylário Zen. Naquela nota, escreveu que a cidade agradecia a contribuição do antecessor na construção de Brusque.

Encerrado o mandato, voltou ao consultório e seguiu atendendo na cidade. Até a publicação desta matéria, horários de velório e sepultamento não haviam sido divulgados.

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Fonte Original | Jornal Razão

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