Alex Brasil gravou selfie no bandeirão do ato de 7 de Setembro na Beira-Mar Norte com recado a Alexandre de Moraes e dividiu os comentários entre apoio e acusação de ataque ao Judiciário.
O deputado estadual Alex Brasil (PL) gravou uma selfie no meio do bandeirão do 7 de Setembro em Florianópolis e endereçou a cena diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. De camisa verde, sorrindo, com o pano verde e amarelo estendido atrás e a avenida tomada por manifestantes, o parlamentar publicou o vídeo nas redes sociais ainda durante o ato.
Bastaram algumas horas para a publicação rachar a caixa de comentários. De um lado, apoiadores celebrando o tamanho da multidão, repetindo o número da campanha e cobrando do deputado o endereço e o horário da concentração para chegar a tempo. De outro, um bloco igualmente barulhento acusando o parlamentar de comportamento antidemocrático, tratando a provocação ao ministro como ataque direto ao Judiciário e classificando a cena como palanque disfarçado de data cívica.
O sentimento predominante entre os críticos foi de constrangimento e ironia, com a acusação de que a Independência virou vitrine eleitoral. Entre os defensores, o clima foi de orgulho pelo tamanho da mobilização e a leitura de que a multidão nas ruas da Capital é, por si só, a resposta que o deputado quis dar ao Supremo.
O ato que serviu de cenário para o vídeo começou por volta das 10h no Trapiche da Beira-Mar Norte e seguiu em caminhada até a Catedral Metropolitana, no Centro de Florianópolis. Manifestantes vestidos de verde e amarelo entoaram palavras de ordem contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra Alexandre de Moraes. Não houve estimativa oficial de público divulgada.
Passaram pelo palanque o governador licenciado e candidato à reeleição Jorginho Mello (PL), o candidato a vice-governador Adriano Silva, o deputado federal Carlos Bolsonaro, a candidata ao Senado Carol De Toni, a deputada federal Júlia Zanatta e o deputado federal Zé Trovão. A convocação na Capital havia sido feita pelo próprio Alex Brasil, dias antes, em vídeo gravado ao lado do governador.
Jorginho Mello cravou no palanque a frase mais repetida do dia em Santa Catarina: “faltam 3 semanas e meia para que o Brasil se liberte”. A conta é direta — o primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Depois do ato na Capital, o governador seguiu para a manifestação da Avenida Paulista, em São Paulo.
Júlia Zanatta fez um dos discursos mais duros. Com as duas mãos erguidas diante dos manifestantes, a deputada federal declarou: “Pessoal, vamos levantar uma mão, vamos levantar outra. E não é oração, é exorcismo. Fora Lula! Fora Alexandre de Moraes!”. Ela também pediu o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A pauta do ato tinha duas frentes. A primeira, o pedido de impeachment e de prisão de Alexandre de Moraes, tema que dominou cartazes e discursos. A segunda, o apoio explícito ao ministro André Mendonça, também do Supremo, relator do caso Banco Master.
Essa guerra aberta dentro do STF é o combustível que jogou gente na rua neste 7 de Setembro. Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que expôs mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025. Nos diálogos, Vorcaro questionou o ministro sobre o avanço das investigações e chegou a perguntar se deveria deixar o país dois dias antes da prisão. Em resposta, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Os atos catarinenses são o braço regional de uma mobilização nacional. A manifestação principal ocorreu na Avenida Paulista, às 15h, convocada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob os motes “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”. Em Santa Catarina, além de Florianópolis, houve concentrações em Joinville, na Praça da Bandeira, e em Balneário Camboriú, na Praça Almirante Tamandaré.
Enquanto o palanque acontecia na Beira-Mar Norte, a Capital cumpria também a programação oficial da data. O desfile cívico-militar dos 204 anos da Independência reuniu cerca de 2,6 mil desfilantes na Avenida Beira-Mar Continental, com bloqueios de trânsito coordenados pela Guarda Municipal entre Coqueiros e os acessos às pontes. Duas Florianópolis, no mesmo feriado, em avenidas separadas por uma baía.
O apelido usado por Alex Brasil na provocação é a forma como parte da direita brasileira se refere a Moraes, alvo recorrente das manifestações do campo bolsonarista desde as investigações sobre atos antidemocráticos e sobre o núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Santa Catarina foi o estado que deu a maior margem de vitória a Bolsonaro em 2022, o que ajuda a explicar por que a Beira-Mar virou parada obrigatória dessa mobilização.
Até o momento, não há manifestação de Alexandre de Moraes nem do Supremo Tribunal Federal sobre a publicação do deputado catarinense. O vídeo segue no ar e continua recebendo reações dos dois lados. A campanha em Santa Catarina vai até 4 de outubro, quando os eleitores escolhem governador, dois senadores, deputados federais e estaduais.











