segunda-feira,

07/09/2026

Joinville/SC

Traficante do RJ preso em Itajaí tinha bunker com mais de 200 kg de cocaína: “apreensão milionária”

Brayam Addam Alves de Oliveira, de 29 anos, foi detido dentro de um imóvel monitorado pela Polícia Federal no bairro Cidade Nova, onde havia um compartimento escondido sob o piso com 231 quilos de cocaína. Ele já tinha passagem pela Justiça do Rio de Janeiro e estava solto em livramento condicional.

A equipe do Motopatrulhamento Tático ROCAM entrou por volta das 11h deste domingo (6) em um imóvel da Rua José da Silva Lima Junior, no bairro Cidade Nova, em Itajaí, e encontrou, sob o piso de um dos cômodos, um fundo falso que funcionava como bunker do tráfico. Dentro do compartimento subterrâneo estavam diversos sacos com tabletes de cocaína, num total de 231 quilos.

Dentro da casa, sozinho, estava Brayam Addam Alves de Oliveira, 29 anos, natural do Rio de Janeiro. Durante a entrada tática, ele disse aos policiais que estava no local para cuidar da carga e que trabalhava como caseiro da residência. Foi preso em flagrante.

Ele não é réu primário. A Justiça do Rio de Janeiro já havia expedido mandado de prisão preventiva contra Brayam em um processo criminal na capital fluminense. O mandado foi cumprido e ele passou pelo sistema prisional, até deixar a cadeia por decisão da Vara de Execuções Penais, em livramento condicional. Estava nessa condição quando foi encontrado tomando conta do bunker em Itajaí.

A operação não começou em Santa Catarina. Horas antes, a Polícia Rodoviária Federal abordou em Barra do Turvo, no interior de São Paulo, um veículo que vinha sendo monitorado e que havia saído do estado catarinense. Durante a fiscalização, os policiais localizaram aproximadamente 290 quilos de cocaína transportados no automóvel. O motorista, Caio da Silva Russo, 25 anos, natural de São Paulo, também foi preso em flagrante.

Confirmado o ilícito no carro, as forças de segurança partiram para o endereço de onde o veículo tinha saído. A Agência de Inteligência do 1º Batalhão acionou a ROCAM para apoiar a abordagem, em uma operação que reuniu Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e as agências de inteligência do 25º e do 10º Batalhões da Polícia Militar. O imóvel já era monitorado pela Polícia Federal e, conforme o levantamento, servia de ponto de transbordo e armazenamento de entorpecentes.

Além da droga enterrada sob o piso, as buscas na casa localizaram vários utensílios usados no preparo e na distribuição de cocaína. O conjunto reforça a leitura de que o endereço era base logística de uma organização criminosa, e não ponto de venda de rua.

Somadas, as duas ações deste domingo tiraram de circulação 521 quilos de cocaína. Não há valor oficial divulgado para a carga, mas o parâmetro é recente: na apreensão de julho em Santa Catarina, quando 3,55 toneladas foram encontradas, o prejuízo estimado ao crime organizado ficou entre R$ 170 milhões e R$ 350 milhões. Na mesma proporção, os 521 quilos deste domingo representam dezenas de milhões de reais retirados da facção.

Todo o material apreendido e o homem detido em Itajaí ficaram sob custódia da Polícia Federal, com o delegado responsável. Ele deve responder por tráfico de drogas, crime com pena de 5 a 15 anos de reclusão, além de multa.

As duas prisões são desdobramento de uma investigação que já vinha rendendo. A ação deste domingo é resultado do aprofundamento das apurações iniciadas depois da grande apreensão feita em julho pela PRF e pela Polícia Militar de Santa Catarina, quando cerca de 3,5 toneladas de cocaína foram achadas em Navegantes e Blumenau.

Naquela operação, as equipes localizaram 1.550 quilos de cocaína em uma residência do bairro Gravatá, em Navegantes, por volta das 23h55 de 17 de julho, e mais 2.000 quilos em um imóvel do bairro Velha, em Blumenau, na madrugada seguinte. Foi a maior apreensão de cocaína da história do estado. As duas casas estavam vazias e ninguém foi preso. Antes disso, a linha de investigação tinha nascido de um furgão com 487 quilos de cocaína abordado pela PRF na BR-101, em Joinville.

A geografia do caso explica por que Itajaí aparece agora. As investigações apontam que cidades do Vale do Itajaí e do litoral catarinense eram usadas como centros logísticos do grupo, com a cocaína seguindo pela BR-101 rumo a São Paulo e parte da carga podendo ter como destino o mercado internacional, pelos portos de Itajaí e Navegantes. Dias depois da apreensão recorde, a Polícia Federal já havia cumprido mandados em Santa Catarina em operação contra o tráfico internacional e a lavagem de dinheiro.

A diferença desta etapa está nas prisões. Em julho, a polícia chegou à droga, mas não chegou a ninguém. Neste domingo, pela primeira vez na mesma investigação, dois homens foram presos ao lado da carga: um dirigindo, outro guardando. A Polícia Federal informou que o trabalho continua para identificar outros envolvidos na organização criminosa e esclarecer toda a dinâmica do tráfico investigado. A apuração agora se volta para quem mantinha o imóvel do Cidade Nova e para o destino final dos 521 quilos apreendidos.

Fonte Original | Jornal Razão

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