Museu de Arte de Joinville celebra 50 anos em noite de arte, memória e homenagens

Museu de Arte de Joinville celebra 50 anos em noite de arte, memória e homenagens

 

O Museu de Arte de Joinville (MAJ) celebrou nesta quinta-feira (3/9) seus 50 anos de história com uma noite dedicada à arte, à memória e às pessoas que ajudaram a construir sua trajetória.

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Centenas de pessoas, entre membros da comunidade, artistas, autoridades e profissionais da cultura, foram ao local para celebrar o cinquentenário de um dos principais espaços culturais de Joinville.

 

Durante o evento, ocorreu a abertura da exposição “50 Anos do MAJ”, a inauguração da Sala Marina Mosimann e uma programação cultural com apresentações de música e dança, além de feira de artesanato e opções de alimentação.

 

Segundo a prefeita Rejane Gambin, ao completar 50 anos o museu reafirma seu papel na preservação da memória e na construção do futuro das artes visuais na cidade.

“A nova exposição e a Sala Marina Mosimann passam, a partir de agora, a integrar essa trajetória, conectando o patrimônio, o acervo, os artistas e as pessoas que fizeram e continuam fazendo a história do MAJ”, afirma.

 

Para o secretário de Cultura e Turismo, Guilherme Gassenferth, é uma alegria comemorar o cinquentenário de um dos poucos museus municipais de arte do Sul do Brasil, que tem grande importância no cenário das artes visuais em Santa Catarina.

 

“Nestes anos, nós tivemos uma participação incrível dos artistas, gestores culturais, de todos os movimentos ligados às artes visuais que enxergam aqui no Museu de Arte o seu templo, sendo um dos museus mais importantes do estado, com papel importantíssimo na difusão cultural”, diz.

 

Exposição conversa com o passado e o presente

A exposição “50 Anos do MAJ” apresenta parte do acervo do museu, formado por mais de mil obras, e propõe um olhar sobre as relações construídas pela instituição ao longo de cinco décadas.

 

Mais do que reunir obras, a mostra conta uma trajetória feita de doações, aquisições, intercâmbios, parcerias com artistas e instituições e ações de preservação, pesquisa e difusão da arte.

 

Entre as obras que ajudam a contar essa história está “O Albergue”, de Luiz Carlos de Andrade Lima, primeira peça registrada no livro-tombo do museu.

 

Também integra a exposição “Envolvente e envolvido”, de Lygia Clark, incorporada ao acervo em 1976. O conjunto evidencia a diversidade da coleção e a presença de artistas de Joinville, de Santa Catarina e de diferentes partes do Brasil.

 

 

A exposição também ocupa o porão do museu, em uma parceria com a Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ), aproximando a história construída pelo MAJ da produção artística contemporânea da cidade.

 

Para a coordenadora do MAJ, Ângela Peyerl, o museu reúne diferentes linguagens artísticas, tornando-se um espaço de contemplação, de encontro e de convivência.

 

“Com a nova exposição, conseguimos apresentar a relação que o museu fez com artistas nacionais, estaduais e artistas joinvilenses.

No porão, o público pode conferir as obras de artistas da AAPLAJ, que hoje movimentam a arte na cidade.

Assim, dialogamos com o ontem, que é o acervo, e com os artistas contemporâneos, que fazem arte em Joinville hoje”, explica.

 

Homenagem a Marina Mosimann

Outro momento de destaque da noite foi a inauguração da Sala Marina Mosimann, homenagem à galerista e gestora cultural que teve papel importante na história das artes visuais de Joinville e de Santa Catarina.

 

Marina chegou a Joinville na década de 1970 e, em 1976, fundou a Galeria de Arte Lascaux, a primeira galeria de arte da cidade. Assumiu a direção do Museu de Arte de Joinville em duas oportunidades e também esteve à frente do Museu Casa Fritz Alt e da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Marina morreu em setembro de 2024.

 

A nova sala mantém seu nome ligado ao MAJ e reconhece sua contribuição para aproximar artistas, instituições e público, fortalecendo a cena das artes visuais na cidade. Filhos e netos estiveram na cerimônia e se emocionaram com a homenagem.

 

“A gente viveu isso durante nossa adolescência, o nosso crescimento foi no meio de artistas. Então, eu vou dizer que a nossa vida foi fantástica.

Nós, filhos, estamos aqui imensamente honrados com a homenagem. Espero que meus netos possam brincar nesses jardins e acompanhar a cultura sempre. Aproveitem. Isso aqui é legado”, afirmou Soraya Mosimann Cubas, filha de Marina.

 

Um prédio que também conta histórias

Antes de se tornar um museu, o casarão que abriga o MAJ já ocupava um lugar importante na história de Joinville.

Construído por volta de 1864, o imóvel foi residência de Ottokar Doerffel e sua esposa, Ida Günther. Imigrante alemão, Doerffel foi prefeito de Joinville e fundador do primeiro jornal da cidade.

 

Com características da arquitetura colonial alemã, o prédio foi tombado como patrimônio histórico em 2001.

Foi nesse espaço que, em 3 de setembro de 1976, o Museu de Arte de Joinville abriu suas portas ao público, três anos depois de sua criação oficial, em 15 de maio de 1973.

 

Ao longo dessas cinco décadas, o MAJ se consolidou como espaço de preservação, pesquisa, exposição e difusão das artes visuais.

O museu recebeu importantes exposições e obras de artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, além de manter uma relação próxima com a produção artística local.

 

Um dos capítulos marcantes dessa história ocorreu em 1990, quando o MAJ recebeu, por empréstimo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), os oito painéis da “Série Bíblica”, de Cândido Portinari.

A exposição exigiu uma estrutura especial de segurança e entrou para a memória do museu. Também passaram pelo espaço exposições de artistas como Edgar Degas e Camille Claudel.

 

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