120 anos do Hospital São José e a corrente de solidariedade que mudou a saúde de Joinville

 

Quem passa hoje pelo Hospital Municipal São José talvez não imagine que, há exatamente 120 anos, a cidade inteira se movimentava para tornar esse gigante da saúde uma realidade. Em junho de 1906, Joinville subia de patamar no campo da saúde pública e inaugurava as novas instalações do então chamado Hospital de Caridade. Para relembrar esse momento ímpar, a Câmara de Vereadores resgata os bastidores de um momento histórico que uniu a força da articulação política a uma das maiores correntes de solidariedade que o município já viu.

O abraço da comunidade: doações de todos os tipos

Muito antes de as portas se abrirem, os joinvilenses já tinham abraçado a causa. Campanhas e eventos movimentavam os moradores; desde 1903, bazares e doações de populares se somavam a repasses públicos. A cidade ajudava com o que podia. As famílias e o comércio local doavam desde enxovais, móveis e materiais de escritório até grandes quantias em dinheiro, como o expressivo apoio financeiro vindo do Grêmio Beneficente.

A Gazeta de Joinville publicava listas e mais listas de benfeitores. No meio de tantos nomes, um gesto curioso entrou para a história: o morador Frederico Müller fez questão de ajudar doando uma gaiola com um canário, num gesto que simbolizava perfeitamente aquele momento: não importava o valor ou a utilidade do item, muita gente queria dar a sua contribuição.

No pátio do hospital, o tom dos discursos políticos

Figura 2 – Carlos José Leopoldo Boegershausen, padre católico alemão que foi o primeiro a exercer a função em Joinville. Faleceu pouco após a inauguração do Hospital de Caridade, pela qual trabalhou intensamente. | Imagem do acervo do Arquivo Histórico de Joinville

O grande dia chegou em 4 de junho de 1906. O pátio do novo hospital ficou lotado de moradores e autoridades. Sob aplausos do público, o superintendente Procópio Gomes chegou acompanhado do presidente do Conselho Municipal (o equivalente ao presidente da Câmara de Vereadores de hoje), Ernesto Canac, e do Padre Carlos Boegershausen.

Os discursos políticos daquela manhã deixaram claro que erguer o hospital foi um verdadeiro teste de persistência. Procópio Gomes relembrou que, ao assumir o governo da cidade, os cofres públicos tinham somente uma quantia irrisória. A virada de jogo começou com a doação do terreno pelo Padre Carlos. Logo depois, a articulação política fez a diferença: Ernesto Canac, usando sua atuação como deputado estadual, conseguiu garantir verbas carimbadas junto ao governo do Estado. Juntando o apoio do governo estadual, a venda de terrenos antigos e o dinheiro que o povo arrecadou, o orçamento final superou as expectativas. O que parecia impossível saiu do papel.

Portas abertas e um novo legado

Figura 3 – Canac e Procópio Gomes: Respectivamente Presidente da Câmara e Prefeito, em 1906.

A organização do espaço também foi pensada no detalhe. Semanas antes, Procópio Gomes havia viajado para fechar o contrato com as Irmãs da Divina Providência, trazendo as primeiras religiosas — incluindo a Irmã Superiora Wigberta e uma enfermeira — para chefiar o atendimento e a administração.

Na solenidade, as lideranças políticas foram homenageadas pelas crianças das escolas locais, deixando Canac e Procópio visivelmente emocionados. Quando o público finalmente pôde entrar, a surpresa foi geral com a organização e a limpeza do lugar. Um jornalista da época chegou a brincar nas páginas do jornal que o hospital estava tão bonito que dava “vontade de adoecer só para ser tratado”. Estava inaugurado o Hospital de Caridade, uma história de união que completa 120 anos neste mês.

 

 

 

 

Cápsula do tempo

Em outubro de 1903, Joinville recebia o governador em exercício, Vidal Ramos, para a Solenidade de Lançamento da Pedra Fundamental do hospital. Em um ato simbólico, ele deu as três marretadas que oficializavam o início das obras. O que poucos joinvilenses sabem é que, junto àquela pedra, foi enterrada uma cápsula do tempo de cobre, contendo jornais da época, objetos históricos e a ata daquela sessão especial do Conselho Municipal. Uma verdadeira relíquia que, até hoje, ao que tudo indica, permanece guardada sob a terra.

 

 

A Cápsula do Tempo da CVJ: Conectando o presente ao amanhã

Se a cápsula do hospital parece continuar enterrada, a nossa não será esquecida. Para celebrar a trajetória de trabalho e as tradições que moldaram Joinville, a Câmara de Vereadores está construindo uma ponte direta com o futuro.

Convidamos toda a comunidade e as instituições do nosso município a participarem deste projeto histórico. Juntos, vamos deixar um legado documental que será preservado e aberto apenas em 2051, ano em que Joinville comemorará o seu bicentenário.

 

 

 

Fonte Original | Notícias – Câmara de Vereadores de Joinville

Você não pode copiar o conteúdo desta página