Polícia esclarece demissão de delegado que investigou tragédia com balão em Praia Grande

A Polícia Civil de Santa Catarina divulgou, nesta terça-feira (11), uma nota oficial explicando os motivos que levaram à exoneração do delegado Rafael Gomes de Chiara, responsável pela investigação da queda de um balão que deixou oito mortos em Praia Grande, no Extremo Sul do Estado.

Segundo a corporação, a decisão foi resultado de processos disciplinares anteriores ao acidente, afastando a hipótese de perseguição apontada pela defesa do delegado.

De acordo com a instituição, dois processos administrativos instaurados ainda na gestão anterior embasaram a demissão.

Ambos apontaram condutas incompatíveis com o exercício do cargo público.

Em um dos casos, apurado em março de 2022, Chiara teria utilizado uma viatura oficial para fins particulares durante o período de férias.

Outro processo, de abril do mesmo ano, envolveu publicações feitas pelo delegado em redes sociais, nas quais ele teria acusado a Corregedoria da Polícia Civil de “perseguição” e “assédio moral”.

Além disso, o órgão apontou outras irregularidades anteriores, como descumprimento de deveres funcionais e condutas inadequadas.

“As autoridades sindicantes apontaram indícios de irregularidades graves, com violação de normas funcionais passíveis de demissão”, destacou a Polícia Civil em nota.

Processos analisados por várias instâncias

Os dois processos disciplinares foram conduzidos por comissões compostas por três delegados cada, que concluíram pela responsabilização do servidor e recomendaram a demissão.

A decisão foi confirmada pelo Conselho Superior da Polícia Civil (CSPC) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). O governador Jorginho Mello (PL) acatou as recomendações e determinou a exoneração.

A corporação reforçou que os procedimentos foram instaurados e concluídos antes do acidente com o balão, ocorrido em junho deste ano.

“Reduzir toda essa tramitação administrativa ao inquérito policial de Praia Grande é adotar exclusivamente a versão da defesa, que tenta sustentar, de forma equivocada, uma tese de perseguição funcional”, informou a nota.

Defesa fala em perseguição

Em manifestação pública, a defesa de Rafael de Chiara afirmou que o processo que levou à demissão teria sido reativado após o delegado se recusar a indiciar pessoas sem fundamento jurídico no caso do balão.

“A coincidência não é ingênua. É evidente. É perigosa”, afirmou a defesa, que pretende recorrer à Justiça e pedir a responsabilização de quem teria usado o cargo para perseguição política.

A Polícia Civil, no entanto, negou qualquer ligação entre os fatos, ressaltando que no mesmo dia da exoneração de Chiara, outro delegado também foi demitido em razão de processo administrativo, o que demonstraria, segundo a corporação, imparcialidade na aplicação das sanções.

O delegado ainda pode apresentar um pedido de reconsideração ao governador ou ingressar com ação judicial para tentar reverter a decisão.

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) solicitou a reabertura do inquérito, que segue sob sigilo.


Vítimas da tragédia em Praia Grande:

  • Leane Elizabeth Herrmann

  • Leise Herrmann Parizotto

  • Everaldo da Rocha

  • Janaina Moreira Soares da Rocha

  • Fabio Luiz Izycki

  • Juliane Jacinta Sawicki

  • Andrei Gabriel de Melo

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