quinta-feira,

29/01/2026

Joinville/SC

Justiça manda redes sociais apagarem imagens de adolescentes no caso do cão Orelha

Os advogados que representam dois dos adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, pediram cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e informações relacionadas ao caso. Em nota divulgada nesta terça-feira (27), a defesa alertou que a exposição de menores de idade nas redes sociais viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, a divulgação de fotos e vídeos tem provocado um “linchamento virtual” contra os adolescentes e seus familiares, além de alimentar a disseminação de desinformação.

A defesa afirma que informações repassadas pela Polícia Civil durante coletiva de imprensa reforçam que não existe vídeo que registre o momento das agressões contra o animal. De acordo com os advogados, a delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, informou que esse tipo de registro “nunca existiu”, o que contraria rumores de que um suposto vídeo teria sido apagado após coação.

Ainda conforme a nota, os dois adolescentes defendidos por Kale e Duarte não aparecem em um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um grupo de rapazes. Para a defesa, o material tem sido utilizado de forma equivocada e contribuído para ataques virtuais e ameaças.

“A exposição irresponsável da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais, infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente, assim como de suas famílias, exige o respeito ao devido processo legal e à análise criteriosa das evidências antes de qualquer responsabilização”, afirmam os advogados.

A defesa destaca ainda que segue colaborando com as autoridades e defende que a apuração ocorra dentro dos ritos legais, até a correta identificação e responsabilização dos culpados. O episódio é classificado como “um triste acontecimento”.

O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que apura o envolvimento de ao menos quatro adolescentes na agressão ao cão Orelha, considerado um mascote da Praia Brava. O animal foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu e passou por eutanásia.

As investigações incluem a análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de moradores e perícia técnica. Paralelamente, familiares de adolescentes investigados foram indiciados por coação no curso do processo. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com recolhimento de aparelhos eletrônicos para análise.

A Polícia Civil informou ainda que mais de 20 pessoas já foram ouvidas e centenas de horas de imagens analisadas. As autoridades reforçam que, por se tratar de investigação envolvendo adolescentes, a divulgação de nomes e imagens é proibida por lei.

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