Uma das 11 crianças que receberam, por engano, soro antiofídico no lugar da vacina contra hepatite B no Hospital Santa Cruz, em Canoinhas, apresentou um quadro de icterícia.
A condição, conhecida popularmente como “amarelão”, é considerada comum em recém-nascidos e, segundo a direção do hospital, não está relacionada à aplicação equivocada do antídoto contra veneno de jararaca.
Apesar disso, o bebê permanece sob monitoramento constante por precaução.
As demais crianças também estão sendo acompanhadas por equipes médicas e pela Vigilância Epidemiológica do município, que iniciará visitas domiciliares nos próximos dias.
A expectativa é de que o acompanhamento se estenda por pelo menos 30 dias, já que não há registros anteriores no país de aplicação acidental desse tipo de soro em recém-nascidos.
Segundo Ariane da Silva, técnica da Vigilância Epidemiológica, não existe protocolo específico para essa faixa etária, o que torna o monitoramento inédito.
O Instituto Butantan, fabricante do soro, informou que o produto possui baixo índice de contraindicações, conforme consta na bula.
O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que foi procurado voluntariamente pela administração do hospital.
A investigação busca esclarecer como o erro aconteceu, identificar os responsáveis e avaliar se as providências tomadas foram adequadas.
A prefeita de Canoinhas, Juliana Maciel Hoppe (PL), também determinou a realização de uma auditoria externa, mesmo com o hospital sendo de gestão privada.
Ela afirmou que o trabalho do Ministério Público auxiliará nesse processo e em eventuais sindicâncias internas.
A principal hipótese levantada até o momento é de que a falha tenha ocorrido devido à semelhança visual entre os frascos do soro antiofídico e da vacina, ambos produzidos pelo Instituto Butantan.
Até agora, nenhuma das crianças apresentou reações adversas graves.
O caso segue sob apuração e acompanhamento das autoridades de saúde.