Dois adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, foram alvos de mandados de busca e apreensão na tarde desta quinta-feira (29), no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, na Capital.
Os jovens haviam viajado para Orlando, nos Estados Unidos, logo após o crime. Em nota encaminhada à imprensa, a família informou que a viagem já estava programada anteriormente e não teria qualquer relação com o caso.
O desembarque ocorreu com esquema de segurança reforçado no aeroporto. Segundo a Polícia Civil, a medida teve como objetivo preservar a integridade física dos adolescentes, diante da grande repercussão do episódio. As diligências foram realizadas em uma sala restrita do terminal, longe da área de circulação de passageiros.
Durante a ação, equipes da Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA) apreenderam roupas e aparelhos celulares pertencentes aos adolescentes, que serão analisados no curso da investigação. De acordo com a Polícia Civil, o voo de retorno ao Brasil chegou a ser antecipado.
Familiares já foram indiciados por coação
Na última terça-feira (27), a Polícia Civil informou que três adultos — todos familiares dos adolescentes investigados — foram indiciados por coação no curso do processo. Entre eles estão dois pais e um tio de um dos jovens. Um dos indiciados atua como advogado, e os outros dois são empresários.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, o inquérito que apura a tentativa de interferência nas investigações já foi concluído. As apurações sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes seguem em andamento.
Caso gerou comoção nacional
A morte do cão Orelha ocorreu no dia 5 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. O animal, considerado comunitário e cuidado por moradores da região, foi agredido a pauladas por quatro adolescentes, não resistiu aos ferimentos e morreu.
O caso ganhou repercussão nacional, motivou protestos, manifestações nas redes sociais e mobilizou defensores da causa animal em diversas cidades do país. Orelha chegou a receber homenagens, como um mural pintado em Sorocaba, no interior de São Paulo.
As autoridades reforçam que, por se tratar de investigação envolvendo adolescentes, a divulgação de imagens e identificação dos suspeitos é proibida por lei.















