FEMUSC promove Noite de Gala com concerto para harpa e destaca jovens talentos internacionais

 

A programação do Festival de Música de Santa Catarina (FEMUSC) desta quinta-feira, 22 de janeiro, reserva um dos momentos mais emblemáticos da edição 2026: a Noite de Gala, com o Concerto de Gala, no Grande Teatro da SCAR, em Jaraguá do Sul (SC). A noite reúne professores e jovens músicos em apresentações que sintetizam o caráter internacional, formativo e artístico do festival.

Um dos destaques do concerto é a execução do Concerto para Harpa e Orquestra – 1º movimento, de George Frideric Handel, obra do século XVIII que será interpretada pela jovem harpista russa Aglaya Masalskaya, de apenas 14 anos, como solista. A apresentação contará com a Orquestra de Câmara do FEMUSC, sob regência de Alex Klein, diretor artístico do festival.

Para Aglaya, a experiência de atuar como solista em um festival com músicos de diferentes países tem sido marcante. “É incrivelmente inspirador e emocionante. Estar cercada por músicos de tantos países cria uma atmosfera muito especial. Como solista, me sinto honrada e motivada a compartilhar música em um ambiente tão internacional e acolhedor”, afirma a jovem musicista.

Sobre a obra de Handel, a jovem musicista destaca o caráter expressivo do concerto. “Para mim, essa peça é muito sensível e íntima. Eu sinto a harpa e a orquestra como um único conjunto, criando um som leve, transparente e expansivo. A harpa conduz a música de forma cantabile e graciosa, o que me dá uma forte sensação de conexão e expressão”, completa.

A Noite de Gala também reúne a Orquestra Filarmônica FEMUSC Jovem, formada por alunos em nível avançado, além de obras que dialogam com a tradição da música de concerto, como peças de Chopin para violoncelo e piano, reforçando a transmissão do repertório clássico entre gerações.

 

Percussão: diversidade rítmica e troca entre gerações

A programação da quinta-feira também reserva espaço à força expressiva da percussão. Às 19h, no Pequeno Teatro da SCAR, ocorre o concerto do Grupo de Percussão do FEMUSC, sob liderança do professor Eduardo Gianesella. No festival, alunos de níveis intermediários e avançados dividem o palco com professores, em um formato que amplia a experiência formativa. “Existe um compartilhamento de experiências quando tocamos todos juntos, independentemente do nível. Isso enriquece a todos, sem exceção”, destaca Gianesella.

O repertório da noite percorre marcos históricos da percussão, com obras como o Intermezzo da ópera “O Nariz”, de Shostakovich (1928), as “Rítmicas nº 5 e nº 6”, do compositor franco-cubano Amadeo Roldán (1930), consideradas as primeiras obras independentes para grupo de percussão, além de uma peça de John Cage, de 1940. A programação inclui ainda obras brasileiras contemporâneas e uma homenagem a Hermeto Pascoal, falecido recentemente, aos 89 anos.

“O público pode esperar um repertório bastante eclético, que revela a riqueza rítmica e timbrística da percussão, com obras de diferentes vertentes e estilos musicais”, resume o professor.

Para Gianesella, a experiência no FEMUSC se distingue pela dimensão internacional e pelo ambiente inclusivo. “É o festival mais internacional do Brasil, com uma grande troca cultural entre alunos e professores. Além disso, o FEMUSC oferece oportunidades também a alunos mais iniciantes, algo raro em outros festivais. Todos podem tocar, vivenciar experiências sinfônicas, camerísticas e solísticas em um curto intervalo de tempo”, afirma.

Música, memória e consciência histórica

Outro momento de destaque da noite é a execução da obra “Serioso”, para octeto de cordas, que marca seus 20 anos e é dedicada à memória das vítimas do fascismo e da guerra. A apresentação integra a programação camerística do festival e propõe uma escuta reflexiva, reafirmando o papel da música como linguagem artística e como instrumento de memória histórica.

Você não pode copiar o conteúdo desta página