Casal ficou sem água de terça a sábado, após corte feito por lideranças da Aldeia Toldo Pinhal, e deixou a comunidade por orientação da Polícia Federal
Um casal que morava na Aldeia Indígena Toldo Pinhal, na Linha Brasília, em Seara, no Oeste de Santa Catarina, precisou deixar a comunidade escoltado pela Polícia Militar depois de denunciar ameaças do cacique e de outras lideranças da aldeia. Um agricultor indígena de 35 anos, natural de Seara, e a companheira dele, de 52, natural de Chapecó, recolheram os pertences e seguiram para Chapecó, onde estão na casa de familiares.
A briga começou pela água. Segundo o agricultor, o abastecimento da casa foi cortado por lideranças da aldeia na terça-feira (15). A família ficou sem água potável até o sábado (19), quando um irmão dele foi até o ponto onde a água tinha sido trancada e religou o fornecimento. O motivo do corte não foi esclarecido.
Depois disso, Amauri, irmão do cacique, apareceu na casa e perguntou à mulher se a água tinha voltado. Ela respondeu que não. Segundo ela, Amauri a chamou de mentirosa e não queria que o fornecimento fosse restabelecido. Ele pediu que o casal subisse até a comunidade para conversar, mas o agricultor recusou e disse que qualquer assunto teria de ser tratado com o advogado dele.
Amauri foi embora e voltou pouco depois com mais três homens: o cacique Moacir Cavalheiro, de 37 anos, natural de Xanxerê; Josias, diretor da escola da Linha Toldo Pinhal; e Daniel, professor da escola Kaingang. De acordo com o casal, o grupo exigia que os dois saíssem da casa. Com medo de apanhar, o agricultor ficou do lado de dentro.
Foi aí que vieram as ameaças, segundo a família. O cacique teria dito ao agricultor: “saia para fora que eu vou te arrebentar” e “não facilite que eu te pego aí dentro de sua casa e te encho de porrada”. Josias teria se voltado para a mulher: “saia pra fora que eu vou te bater”.
Como o casal não saiu, Josias teria segurado o braço da mulher e a puxado com força para fora da casa. Ela ficou com um hematoma no braço. Antes de ir embora, o cacique e o diretor teriam avisado que iriam amarrar o agricultor pelas pernas e arrastá-lo. O grupo deixou a casa dizendo que voltaria. O casal afirma ter vídeos, com áudio, que registrariam as ameaças.
Com a PMSC já no local, o cacique voltou acompanhado de cerca de dez homens e cinco mulheres. Segundo a polícia, o grupo permaneceu ali em tom de intimidação e fez ameaças à família mesmo com os policiais presentes. Questionado, o cacique se recusou a se identificar e disse que não conversaria com ninguém. Ainda de acordo com a PM, ele teria afirmado que, assim que a polícia fosse embora, o casal seria espancado e expulso da aldeia.
Por ser área indígena, o caso foi repassado à Polícia Federal e comunicado à Funai de Chapecó. Por orientação da PF, a família foi aconselhada a deixar a aldeia para preservar a integridade física. Antes da saída, os policiais conversaram com o cacique e o grupo, avisaram que o casal iria embora e pediram que não houvesse interferência. O pedido foi aceito.
O casal juntou os pertences e deixou a Toldo Pinhal sob escolta policial. A ocorrência envolve, em tese, os crimes de ameaça e lesão corporal. O espaço segue aberto para manifestação do cacique e das demais lideranças citadas.















